{"id":681,"date":"2011-08-17T16:38:06","date_gmt":"2011-08-17T16:38:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontraamericana.com.br\/noticias\/?p=681"},"modified":"2019-04-29T20:38:45","modified_gmt":"2019-04-29T20:38:45","slug":"flagrantes-mostram-roupas-da-zara-sendo-fabricadas-por-escravos-em-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontraamericana.com.br\/sobre\/flagrantes-mostram-roupas-da-zara-sendo-fabricadas-por-escravos-em-americana\/","title":{"rendered":"Flagrantes mostram roupas da Zara sendo fabricadas por escravos em Americana"},"content":{"rendered":"<div class=\"a5b19addc3b60ae39ffd01daa729d676\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>Por tr\u00eas vezes, equipes de fiscaliza\u00e7\u00e3o do governo federal flagraram  trabalhadores estrangeiros submetidos a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o  produzindo pe\u00e7as de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo  espanhol Inditex.<\/p>\n<p>A apura\u00e7\u00e3o \u00e9 de Bianca Pyl e Maur\u00edcio Hashizume, da Rep\u00f3rter Brasil \u2013 que acompanhou as mesmas a\u00e7\u00f5es retratadas na noite desta ter\u00e7a pelo  programa A Liga, na TV Bandeirantes, e levou o nome da Zara aos TTs  mundiais no microblog Twitter. Os dois jornalistas esmiu\u00e7aram o processo  de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o da empresa e trazem um relato completo do  que pode estar por tr\u00e1s do mundo da moda:<\/p>\n<p>Na mais recente opera\u00e7\u00e3o que vasculhou subcontratadas de uma das  principais \u201cfornecedoras\u201d da rede, 15 pessoas, incluindo uma adolescente  de apenas 14 anos, foram libertadas de escravid\u00e3o contempor\u00e2nea de duas  oficinas \u2013 uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona  Norte de Sp. Para sair da oficina que tamb\u00e9m era moradia, era preciso pedir  autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia Regional do Trabalho e Emprego de  S\u00e3o Paulo (SRTE\/SP) \u2013 que culminou na inspe\u00e7\u00e3o realizada no final de  junho \u2013 se iniciou a partir de uma outra fiscaliza\u00e7\u00e3o realizada na cidade de  Americana (SP), no interior, ainda em maio. Na ocasi\u00e3o, 52 trabalhadores  foram encontrados em condi\u00e7\u00f5es degradantes; parte do grupo costurava  cal\u00e7as da Zara. As informa\u00e7\u00f5es puderam ser liberadas agora para n\u00e3o  prejudicar os trabalhadores e o processo de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPor se tratar de uma grande marca, que est\u00e1 no mundo todo, a a\u00e7\u00e3o se  torna exemplar e educativa para todo o setor\u201d, coloca Giuliana Cassiano  Orlandi, auditora fiscal que participou de todas as etapas da  fiscaliza\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o, complementa Giuliana, serve tamb\u00e9m para mostrar a  proximidade da escravid\u00e3o com pessoas comuns, por meio dos h\u00e1bitos de  consumo. \u201cMesmo um produto de qualidade, comprado no shopping center,  pode ter sido feito por trabalhadores v\u00edtimas de trabalho escravo.\u201d<\/p>\n<p>O quadro encontrado pelos agentes do poder p\u00fablico, e acompanhado pela  Rep\u00f3rter Brasil, inclu\u00eda contrata\u00e7\u00f5es completamente ilegais, trabalho  infantil, condi\u00e7\u00f5es degradantes, jornadas exaustivas de at\u00e9 16h di\u00e1rias e  cerceamento de liberdade (seja pela cobran\u00e7a e desconto irregular de  d\u00edvidas dos sal\u00e1rios, o truck system, seja pela proibi\u00e7\u00e3o de deixar o  local de trabalho sem pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o). Apesar do clima de medo entre  as v\u00edtimas, um dos trabalhadores explorados confirmou que s\u00f3 conseguia  sair da casa com a autoriza\u00e7\u00e3o do dono da oficina, s\u00f3 concedida em casos  urgentes, como quando levou seu filho ao m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Quem v\u00ea as blusas de tecidos finos e as cal\u00e7as da esta\u00e7\u00e3o nas vitrines  das lojas da Zara n\u00e3o imagina que, algumas delas, foram feitas em  ambientes apertados, sem ventila\u00e7\u00e3o, sujos, com crian\u00e7as circulando  entre as m\u00e1quinas de costura e a fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica toda exposta.  Principalmente porque as pe\u00e7as custam caro. Por fora, as oficinas  parecem resid\u00eancias, mas todas t\u00eam em comum as poucas janelas sempre  fechadas e com tecidos escuros para impedir a vis\u00e3o do que acontece do  lado de dentro das oficinas improvisadas.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas libertadas pela fiscaliza\u00e7\u00e3o foram aliciadas na Bol\u00edvia e no  Peru, pa\u00eds de origem de apenas uma das costureiras encontradas. Em  busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, deixam os seus pa\u00edses em busca do  \u201csonho brasileiro\u201d. Quando chegam aqui, geralmente t\u00eam que trabalhar  inicialmente por meses, em longas jornadas, apenas para quitar os  valores referentes ao custo de transporte para o Brasil. Durante a  opera\u00e7\u00e3o, auditores fiscais apreenderam dois cadernos com anota\u00e7\u00f5es de  d\u00edvidas referentes \u00e0 \u201cpassagem\u201d e a \u201cdocumentos\u201d, al\u00e9m de \u201cvales\u201d que  faziam com que o empregado aumentasse ainda mais a sua d\u00edvida. Os  cadernos mostram alguns dos sal\u00e1rios recebidos pelos empregados: de R$  274 a R$ 460, bem menos que o sal\u00e1rio m\u00ednimo vigente no pa\u00eds, que \u00e9 de  R$ 545.<\/p>\n<p>As oficinas de costura inspecionadas n\u00e3o respeitavam nenhuma norma  referente \u00e0 Sa\u00fade e Seguran\u00e7a do Trabalho. Al\u00e9m da sujeira, os  trabalhadores conviviam com o perigo iminente de inc\u00eandio, que poderia  tomar grandes propor\u00e7\u00f5es devido a quantidade de tecidos espalhados pelo  ch\u00e3o e \u00e0 aus\u00eancia de janelas, al\u00e9m da falta de extintores de inc\u00eandio.  Ap\u00f3s um dia extenuante de trabalho, os costureiros, e seus filhos, ainda  eram obrigados a tomar banho frio. Os chuveiros permaneciam desligados  por conta da sobrecarga nas instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas, feitas sem nenhum  cuidado, que aumentavam os riscos de inc\u00eandio.<\/p>\n<p>As cadeiras onde os trabalhadores passavam sentados por mais de 12  horas di\u00e1rias eram completamente improvisadas. Alguns colocavam espumas  para torn\u00e1-las mais confort\u00e1veis. As m\u00e1quinas de costura n\u00e3o possu\u00edam  aterramento e tinham a correia toda exposta (foto acima). O descuido com  o equipamento fundamental de qualquer confec\u00e7\u00e3o amea\u00e7ava especialmente  as crian\u00e7as, que circulavam pelo ambiente e poderiam ser gravemente  feridas (dedos ddas m\u00e3os decepados ou at\u00e9 escalpelamento).<\/p>\n<p>Para Giuliana, a superexplora\u00e7\u00e3o dos empregados, que t\u00eam seus direitos  laborais e previdenci\u00e1rios negados, tem o aumento das margens de lucro  como motiva\u00e7\u00e3o. \u201cCom isso, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos produtos,  caracterizando o dumping social, uma vantagem econ\u00f4mica indevida no  contexto da competi\u00e7\u00e3o no mercado, uma concorr\u00eancia desleal\u201d.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) lavrou 52 autos de infra\u00e7\u00e3o  contra a Zara devido as irregularidades nas duas oficinas. Um dos autos  se refere \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica de ind\u00edgenas qu\u00e9chua e aimar\u00e1. De  acordo com a an\u00e1lise feita pelos auditores, restou claro que o  tratamento dispensado aos ind\u00edgenas era bem pior que ao dirigido aos  n\u00e3o-ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A primeira oficina vistoriada mantinha seis pessoas, incluindo uma  adolescente de 14 anos, em condi\u00e7\u00f5es de trabalho escravo. No momento da  fiscaliza\u00e7\u00e3o, os empregados finalizavam blusas da Cole\u00e7\u00e3o  Primavera-Ver\u00e3o da Zara, na cor azul e laranja (fotos acima). Para cada  pe\u00e7a feita, o dono da oficina recebia R$ 7. Os costureiros declararam  que recebiam, em m\u00e9dia, R$ 2 por pe\u00e7a costurada. No dia seguinte \u00e0 a\u00e7\u00e3o,  27 de junho, a reportagem foi at\u00e9 uma loja da Zara na Zona Oeste de S\u00e3o  Paulo (SP), e encontrou uma blusa semelhante, fabricada originalmente  na Espanha, sendo vendida por R$ 139.<\/p>\n<p>De outra oficina localizada em movimentada avenida do Centro, foram  resgatadas nove pessoas que produziam uma blusa feminina e vestidos para  a mesma cole\u00e7\u00e3o Primavera-Ver\u00e3o da Zara. A intermedi\u00e1ria AHA pagava  cerca de R$ 7 por cada pe\u00e7a para a dona da oficina, que repassava R$ 2  aos trabalhadores. Pe\u00e7a semelhante a que estava sendo confeccionada foi  encontrada em loja da marca com o pre\u00e7o de venda de R$ 139. Uma jovem de  20 anos, vinda do Peru, disse \u00e0 reportagem que chegou a costurar 50  vestidos em um \u00fanico dia. Em condi\u00e7\u00f5es normais, estimou com Maria  Susicl\u00e9ia Assis, do Sindicato das Costureiras de S\u00e3o Paulo e Osasco,  seria preciso um tempo muito maior para que a mesma quantidade da  dif\u00edcil pe\u00e7a de vestu\u00e1rio fosse toda costurada.<\/p>\n<p>Foi apurado que at\u00e9 a escolha dos tecidos era feita pelo Departamento  de Produtos da Zara. O fabricante terceirizado encaminhava pe\u00e7as piloto  por conta pr\u00f3pria para a matriz da Zara (Inditex) na Espanha, ap\u00f3s a  aprova\u00e7\u00e3o de um piloto pela gerente da Zara Brasil. Somente ap\u00f3s a  anu\u00eancia final da Europa, o pedido oficial era emitido para o  recebimento das etiquetas. Na opini\u00e3o de Lu\u00eds Alexandre Faria, auditor  fiscal que comandou as investiga\u00e7\u00f5es, a empresa faz de tudo, por\u00e9m, para  n\u00e3o \u201caparecer\u201d no processo.<\/p>\n<p>Para a fiscaliza\u00e7\u00e3o trabalhista, n\u00e3o pairam d\u00favidas acerca do  gerenciamento da produ\u00e7\u00e3o por parte da Zara. Entre os atos t\u00edpicos de  poder diretivo, os agentes ressaltaram \u201cordens verbais, fiscaliza\u00e7\u00e3o,  controle, e-mails solicitando corre\u00e7\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as, controle  de qualidade, reuni\u00f5es de desenvolvimento, cobran\u00e7a de prazos de entrega  etc.\u201d<\/p>\n<p>Em resposta a quest\u00f5es sobre os ocorridos enviadas pela Rep\u00f3rter  Brasil, a Inditex \u2013 que \u00e9 dona da Zara e de outras marcas de roupa com  milhares de lojas espalhadas mundo afora \u2013 classificou o caso envolvendo  a AHA e as oficinas subcontratadas como \u201cterceiriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada\u201d  que \u201cviolou seriamente\u201d o C\u00f3digo de Conduta para Fabricantes. De acordo  com a Inditex, o C\u00f3digo de Conduta determina que qualquer subcontra\u00e7\u00e3o  deve ser autorizada por escrito pela Inditex. A assinatura do C\u00f3digo do  Conduta \u00e9 obrigat\u00f3ria para todos os fornecedores da companhia e foi  assumido pelo fornecedor em quest\u00e3o (AHA).<\/p>\n<p>A empresa disse ter agido para que o fornecedor respons\u00e1vel pela  \u201cterceiriza\u00e7\u00e3o \u00e3o autorizada\u201d pudesse \u201csolucionar\u201d a situa\u00e7\u00e3o  imediatamente, assumindo as compensa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dos trabalhadores e  comprometendo-se a corrigir as condi\u00e7\u00f5es de trabalho da oficina flagrada  com escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Haver\u00e1, segundo a Inditex, um refor\u00e7o na revis\u00e3o do sistema de produ\u00e7\u00e3o  para garantir que n\u00e3o exista outro caso como este. \u201cEstamos trabalhando  junto com o MTE para a erradica\u00e7\u00e3o total destas pr\u00e1ticas que violam n\u00e3o  s\u00f3 nosso r\u00edgido C\u00f3digo de Conduta, como tamb\u00e9m a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista  brasileira e internacional\u201d. Em 2010, a Inditex produziu mais de 7  milh\u00f5es de unidades de pe\u00e7as no Brasil, desenvolvidas, segundo a  empresa, por cerca de 50 fornecedores que somam \u201cmais de 7 mil  trabalhadores\u201d. O total de pe\u00e7as que estava sendo produzido  irregularmente (algumas centenas de pe\u00e7as), adicionou a Inditex,  representa \u201cuma porcentagem inferior a 0,03%\u201d da produ\u00e7\u00e3o do grupo, que \u00e9  um dos maiores do mundo no segmento, no pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>Fonte: Portal UOL<\/em><\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por tr\u00eas vezes, equipes de fiscaliza\u00e7\u00e3o do governo federal flagraram trabalhadores estrangeiros submetidos a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o produzindo pe\u00e7as de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex. 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