Cidades sem Delegacia da Mulher na região
No levantamento realizado, foi identificado que 19 das 31 cidades na região de Campinas não possuem uma Delegacia da Mulher (DDM). Este número representa 61,3% do total de municípios na área coberta pelo g1 Campinas. Algumas das cidades que carecem dessa unidade especializada incluem Paulínia, Amparo, Louveira e Monte Mor, conforme informações do Governo do Estado de São Paulo.
A presença de Delegacias da Mulher é essencial, pois elas são responsáveis pelo atendimento e apoio a mulheres vítimas de violência de gênero, além de conduzirem a investigação de crimes relacionados. Na falta dessas delegacias, as vítimas enfrentam dificuldades consideráveis para buscar auxílio e registrar ocorrências.
Impactos da falta de DDM para as vítimas
A ausência de Delegacias da Mulher na região gera um abismo no atendimento às mulheres que buscam ajuda. Um caso exemplifica bem essa realidade: uma moradora de Nova Odessa foi obrigada a se deslocar para outras cidades, como Sumaré e Americana, para poder registrar uma denúncia após sofrer agressões. Essa situação ressalta como a falta de acessibilidade para serviços especializados pode desestimular a denúncia, especialmente em casos já marcados pela vulnerabilidade das vítimas.
Além disso, os relatos sobre a dificuldade de acesso a serviços adequados indicam que muitas mulheres se sentem isoladas e sem alternativas seguras. A delegada Pietra Duarte de Mendonça, que atua na DDM de Americana, destacou a importância de haver funcionárias femininas nas delegacias comuns para acolher as vítimas, mas a eficácia desse atendimento ainda é limitada em comparação ao serviço especializado oferecido pelas delegacias da mulher.
Estatísticas de DDM em São Paulo
No estado de São Paulo, os dados são ainda mais alarmantes; cerca de 79,7% dos municípios não contam com uma Delegacia da Mulher. Na área de cobertura da EPTV, que abrange 49 cidades das regiões de Campinas e Piracicaba, a situação é crítica, com 33 municípios sem acesso a esse suporte. Esses dados expõem um problema sistêmico, onde as mulheres que buscam proteção e justiça ficam à mercê da falta de estrutura adequada.
Outro desafio enfrentado é o horário de funcionamento das unidades. Apenas as DDMs de Campinas e Piracicaba operam 24 horas, limitando ainda mais as opções para as vítimas que precisam de atendimento fora do horário comercial em outras cidades. Essa realidade reforça a urgência de uma reestruturação no atendimento às mulheres em situação de violência, garantindo que todos os municípios tenham acesso a uma Delegacia da Mulher e serviços adequados 24 horas.


